Por: César M. Santos | Prompte et Sincere
Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos. (Fp 4.4)
Certamente você conhece casos em sua família, no trabalho ou entre seus amigos, de pessoas que vivem sempre em busca de algo mais, de alguma coisa que finalmente lhes trará felicidade. Há uma expectativa de encontrar a felicidade na entrada na faculdade, em um bom emprego, no carro novo, no casamento, nos filhos, na mudança de governo e assim por diante. É uma busca interminável. Diante da percepção de que a “plena felicidade” nunca chega, instala-se a ansiedade, a frustração e, em muitos casos, o desespero.
Porém, esse triste quadro não se restringe às pessoas do mundo; é um mal, ou perigo, que também ameaça a Igreja. Diante dessa realidade, Paulo admoesta a igreja de Filipos.
Existe uma visão disseminada — principalmente entre os incrédulos — de que há incompatibilidade entre espiritualidade e alegria. Ou você é alegre e não leva as coisas de Deus a sério, ou é fechado, carrancudo e muito crente. Esta é uma tremenda mentira do inimigo. Paulo orienta claramente que os crentes devem se alegrar, estar contentes e viver em contentamento.
Diferentemente de outros motivos de alegria que temos, e que são passageiros — como uma boa notícia, um presente recebido, o início de um feriadão ou a resolução de um problema —, aqui temos o maior motivo para nos alegrarmos: Alegrai-vos sempre no Senhor.
Com base em tudo o que Paulo já ensinou nos capítulos anteriores da epístola — sobre a carreira da fé, o desenvolvimento da salvação, o fruto do Espírito e o prêmio que já recebemos e ainda receberemos —, ele coloca o verbo no imperativo e sem condicionantes: alegrai-vos!
O crente não fica na dependência de ocasiões específicas para se alegrar, pois sua alegria ou seu contentamento se baseia no Senhor.
Jesus, certa ocasião, enviou setenta discípulos, aos pares, a anunciar as boas novas da chegada do Messias. Eles foram e, ao retornarem, estavam extremamente alegres pelos sinais e prodígios que realizaram, como registra Lucas 10.17-20:
“Então, regressaram os setenta, possuídos de alegria, dizendo: Senhor, os próprios demônios se nos submetem pelo teu nome! Mas ele lhes disse: Eu via Satanás caindo do céu como um relâmpago. Eis aí vos dei autoridade para pisardes serpentes e escorpiões e sobre todo o poder do inimigo, e nada, absolutamente, vos causará dano. Não obstante, alegrai-vos, não porque os espíritos se vos submetem, e sim porque o vosso nome está arrolado nos céus.”
Essa verdade espiritual deve ser o nosso maior motivo de regozijo.
A certeza da salvação em Cristo deve nos dar motivo de alegria em toda e qualquer situação — mesmo nos momentos de dificuldade ou tribulação. Mais à frente, nesta mesma epístola, Paulo diz: “…porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece.” (Fp 4.11b-13).
Que nos alegremos no Senhor! Amém!