Por: Pedro Meijer | Prompte et Sincere

Leia Gálatas 5.1-13

Este trecho nos apresenta o Evangelho em tons vibrantes: “Para a liberdade foi que Cristo nos libertou…” (v.1) e “Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade…” (v.13).
Durante o verão, vejo muitas pessoas viajando para aproveitar as férias. Pergunto-me: qual seria o aspecto mais importante de tirar férias? Acredito que, além do repouso físico e mental, seja a liberdade. Ou seja, estar livre de compromissos e ter diversas opções de lazer e de descoberta de novos horizontes.

Pensando sobre liberdade, podemos afirmar que, para muitos, ela está associada à liberdade política, no sentido de ter direitos como cidadão no país onde se vive. Nesse contexto, devemos lembrar os muitos Movimentos de Libertação do século XX, que ocorreram em diversos países da África e da Ásia. Compreendemos, assim, que a liberdade é um desejo humano muito profundo.

Observemos como esse anseio sobreviveu a ditaduras que duraram décadas, como na União Soviética. A chama da liberdade pode permanecer viva mesmo sob regimes de terror, como na Coreia do Norte.

A sociedade ocidental é culturalmente dominada pela busca incessante da liberdade, e filósofos e artistas abriram caminho para essa aspiração. No mundo ocidental, muitas pessoas sonham em viver como nômades pós-modernos, sem obrigações nem convenções tradicionais.
Vivemos as ondas do feminismo nos séculos XIX e XX, visando à libertação da mulher da opressão. Surgiu a chamada revolução sexual, que, segundo muitos, livrou a sociedade das leis da Bíblia e da igreja, bem como da autoridade de pastores e pais.

Liberdade… Especialmente após a Segunda Guerra Mundial, esse conceito tornou-se o grande tema da sociedade, manifestando-se em rebelião, na música, no rock ‘n’ roll e no cinema, sempre em oposição à ordem estabelecida. A aspiração mais profunda de muitas pessoas, hoje em dia, não é ganhar muito dinheiro, mas sim estar livre de qualquer coerção. A liberdade passou a ser vista como a máxima felicidade.

Poderíamos multiplicar nossas reflexões sobre o conceito de liberdade, mas vale a pena investigar como a Palavra de Deus avalia essa busca humana. O capítulo 5 de Gálatas nos apresenta uma surpresa: ele não condena essa busca, pelo contrário, o apóstolo Paulo nos ensina que a liberdade é indispensável à vida cristã.

Nosso irmão, o reformador Martinho Lutero, compreendeu bem a verdade de Gálatas 5. A liberdade foi um dos grandes temas de seus escritos e pregações. Basta lembrarmos o título de uma de suas obras: “A Liberdade de um Cristão”. Pela graça de Deus, Lutero entendeu que o apóstolo Paulo nos revela, em Gálatas 5, uma liberdade singular: a liberdade por Cristo e em Cristo.

Paulo, guiado pelo Espírito Santo, nos ensina algo muito mais profundo do que qualquer pensador famoso, do Oriente ou do Ocidente, poderia ensinar: a verdadeira liberdade tem seu fundamento fora de nós, em Cristo. Ao mesmo tempo, ela se manifesta dentro de nós, por meio de Cristo.

Lutero tentou tornar-se um homem livre através dos estudos e da abstinência de prazeres, buscando libertar-se de más inclinações e alcançar a liberdade para fazer o bem. Mas ele não conseguiu — assim como eu e vocês também não conseguiremos. Ninguém pode se tornar verdadeiramente livre por conta própria, independentemente de Deus! É o próprio Deus quem deve providenciar essa liberdade, o que Ele já fez e continuará fazendo por meio de Seu Filho Amado.

“Cristo nos libertou para que vivamos em liberdade…” (Gl 5.1).

Eis aqui o poderoso Evangelho da liberdade, reiterado também em Gálatas 5.13: “Irmãos, vocês foram chamados à liberdade.”

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