Por: Pedro Meijer | Prompte et Sincere
Leitura recomendada: Salmo 22
O foco desta meditação está nos versículos 9 e 10:
Contudo, tu és quem me fez nascer;
E me preservaste, estando eu ainda no seio de minha mãe.
A ti me entreguei desde o meu nascimento;
Desde o ventre de minha mãe, tu és meu Deus.
O rei Davi está passando por momentos difíceis; ele está cercado de inimigos.
Davi os descreve como touros selvagens e leões vorazes. Talvez o pano de fundo do Salmo 22 seja a época em que seu filho Absalão se rebelou contra ele. Foi um momento triste: um filho tentando matar o próprio pai.
Davi grita em desespero:
“Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” (22.1).
São palavras amargas, pois Davi não tinha um bom relacionamento com Deus? Por que, então, esse terrível conflito com seu filho? E por que
Deus não responde? (22.2).
Depois disso, Davi pensa no passado, quando seus antepassados confiavam em Deus e não ficavam envergonhados.
Mas e Davi? Ele pode confiar em Deus agora?
Davi considera sua situação miserável (22.6). Ele ouve a zombaria de seus inimigos:
“Vá para o teu Deus, que Ele te salve! Ele não te ama?” (22.8).
Davi responde aos seus inimigos? Não. Em vez disso, dirige-se a Deus diretamente:
“Tu me tiraste do ventre de minha mãe” (22.9).
Essa é uma declaração de fé. Davi reconhece que Deus estava lá no momento do seu nascimento. Desde o início de sua vida, Deus já estava presente.
Nos versículos 9 e 10, Davi evoca a imagem de Deus agindo como uma parteira durante o parto:
“Tu és quem me fez nascer.”
O versículo 9 também sugere outros cuidados maternos que Deus dedicou a Davi logo após o nascimento. Imagine a cena: a parteira embala o bebê Davi contra o seio da mãe.
Essa é uma imagem de mãos seguras, habilidosas e, acima de tudo, amorosas.
No versículo 10, aparece mais uma cena: novamente, a imagem de Deus como uma parteira, pronta para receber a criança assim que ela sai do útero da mãe.
Davi confessa:
“A ti, Senhor, estou comprometido. Tu estavas lá. Posso confiar em Ti, mesmo que meu próprio filho seja meu pior inimigo.”
Nessa situação ameaçadora, Davi reafirma sua fé em Deus, declarando sua confiança no que Ele é e no que fará.
Davi, ao lembrar-se do seu nascimento, pensa em Deus!
Mas e nós? Podemos nos aproximar de Deus da mesma maneira que Davi?
Podemos dizer como ele:
“Tu tens sido o meu Deus desde o ventre”?
Davi fala sobre um relacionamento estável e duradouro com Deus, a aliança da graça.
Mas será que podemos simplesmente tomar suas palavras e aplicá-las hoje?
A resposta está na Bíblia. Em 1 Pedro 1.10-12, encontramos um princípio essencial para a interpretação do Antigo Testamento.
Pedro ensina que os profetas profetizaram sobre Cristo.
Davi, como salmista, também foi profeta. O Salmo 22 fala de Cristo!
Compare com João 5.39, onde o próprio Senhor declara que as Escrituras testificam dEle.
Foi assim que Cristo usou as famosas palavras de Davi (22.2) quando estava na cruz:
“Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”
E quando olhamos para os versículos 9 e 10, também podemos vê-los nos lábios de Cristo.
“Tu és o meu Deus desde o ventre de minha mãe.”
O vínculo de Jesus com o Pai era inquebrável. O abandono chegou ao fim. E Deus, o Pai, chamou Seu Filho de volta para Ele.
As palavras de Davi:
“Meu Deus, és Tu!”
Provaram-se verdadeiras na boca de Cristo.
E é justamente por essa razão que nós, unidos a Cristo pela fé, podemos dizer com confiança as mesmas palavras de Davi:
“Tu és quem me fez nascer, e desde que minha mãe me deu à luz, Tu és meu Deus.”
Davi começa e termina com essa confissão:
“Tu és meu Deus.”
Eu e você podemos realmente pensar em Deus ao refletirmos sobre o início de nossa vida.
Graças ao Filho de Deus, que sofreu e morreu por nós na cruz.