Por: Fernando de Almeida | Prompte et Sincere

“A maternidade é escolha, não obrigação coercitiva”, declarou Rosa Weber, ministra do STF, ao pronunciar seu voto a favor da descriminalização do aborto até a 12ª semana de gestação. Em meio ao debate contemporâneo sobre a autonomia da mulher e o direito de escolher ser mãe, a história de Maria, mãe de Jesus, emerge como um contraponto divino. Maria é, talvez, a única mulher na história que não teve uma escolha no sentido convencional quando se tornou mãe. No entanto, sua maternidade foi uma bênção não apenas para ela, mas para toda a humanidade.

Diferentemente das mulheres de hoje, que têm acesso a métodos anticoncepcionais e informações sobre planejamento familiar, Maria foi escolhida por Deus para ser a mãe do Salvador. O anjo Gabriel apareceu a ela com a notícia de que ela conceberia e daria à luz um filho, que seria chamado Filho do Altíssimo (Lucas 1:31-32). Maria não teve a oportunidade de “escolher” no sentido moderno da palavra, mas sua resposta foi de humilde aceitação: “Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra” (Lucas 1:38).
A maternidade de Maria foi uma bênção de proporções cósmicas. Ela foi escolhida para ser a mãe do Messias, o Salvador do mundo. Sua disposição em aceitar a vontade divina a tornou parte do plano redentor de Deus para a humanidade. Ela experimentou a alegria de ser mãe, mas também as dores e sofrimentos associados à missão única de seu filho. Ainda assim, ela permaneceu fiel e amorosa, acompanhando Jesus até o fim, ao pé da cruz.

Do ponto de vista teológico, a história de Maria serve como um lembrete da soberania de Deus e do valor intrínseco da vida humana. Ela não teve uma “escolha”, mas sua “escolha” divina resultou na maior bênção para a humanidade: a vinda do Salvador. Isso nos lembra que cada vida tem um propósito divino e que a maternidade é uma vocação sagrada, não um fardo.

A vida de Maria nos convida a refletir sobre a complexidade e a sacralidade da maternidade, desafiando as visões contemporâneas que priorizam a autonomia individual. Sua experiência singular nos lembra que, às vezes, os planos mais extraordinários surgem quando menos esperamos e de maneiras que não escolhemos. Em um mundo que frequentemente vê a maternidade através de lentes utilitaristas, a história de Maria serve como um testemunho eterno de que a verdadeira bênção e o propósito podem ser encontrados na entrega humilde à vontade divina.

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Presbítero docente (ministro da Palavra) na Ebenezer Presbyterian Church, Newark, NJ, EUA (2020- ).

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