Por: César Miranda dos Santos | Prompte et Sincere

Todos, pois, que somos perfeitos, tenhamos este sentimento; e, se, porventura, pensais doutro modo, também isto Deus vos esclarecerá. Todavia, andemos de acordo com o que já alcançamos. (Fp 3.15-16)

Existe uma ‘tensão’ entre o ‘já’ (agora) e o ‘ainda não’. O glorioso prêmio da vida eterna é garantido pelo Senhor, como mencionado por Paulo em Filipenses 3:14 – “o alvo para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus”. A garantia desse prêmio é incontestável e apenas uma questão de tempo. Alcançaremos a perfeição física e espiritual, que é a santidade. Essa realidade é tão evidente para o Apóstolo que ele se considera um cidadão celestial, afirmando no presente: “que somos perfeitos”.

Esse sentimento deve sempre permear nossas mentes, conforme Colossenses 3:1-2 nos instrui: “Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus. Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra”. Esse pensamento funcionará como um forte motivador em nossa jornada de fé, trazendo segurança da salvação e confiança na soberania, misericórdia e graça do Senhor. Porém, se você já foi alcançado pela graça e verdadeiramente teve seu coração transformado, mas ainda tem dúvida acerca das maravilhas que o Pai preparou para você, “…também isto Deus vos esclarecerá”. Os crentes, mais cedo ou mais tarde, são consolados e fortalecidos pelo Espírito Santo com o entendimento dessas maravilhosas verdades, conforme Paulo afirma em Filipenses 1:6: “Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus”.

Entretanto, Paulo deixa claro que a certeza da salvação e todas as vitórias que alcançamos em Cristo nunca foram e nunca serão desculpas para uma vida infrutífera. Realmente, já alcançamos todas essas coisas e, dia após dia, Deus nos dá mais, sempre de acordo com o que Ele sabe ser melhor para nós.

Se verdadeiramente renascemos, esse novo nascimento deve provocar mudanças em nosso caminhar, marcando uma distinção clara entre nós e um morto espiritual. Nossas ações e reações em todas as circunstâncias dependerão de estarmos focados no alvo da santidade em Cristo ou não.
Não basta estudar a Bíblia e ter conhecimento intelectual de seu conteúdo. Devemos viver segundo o que já alcançamos. Se fomos salvos pela graça, através da fé que Deus colocou em nossos corações, essa fé produzirá frutos e obras em nosso caminhar.

Fruto – conforme Gálatas 5:22-25: “Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra tais coisas não há lei. E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com suas paixões e concupiscências. Se vivemos pelo Espírito, andemos também no Espírito”. O verdadeiro servo de Jesus deve andar no Espírito, mortificando diariamente o velho homem e fortalecendo o novo.

Obras – conforme Tiago 2:14-17: “Meus irmãos, qual é o proveito, se alguém disser que tem fé, mas não tiver obras? Pode, acaso, semelhante fé salvá-lo? (…) Assim também a fé, se não tiver obras, por si só está morta”.

Estamos realmente usando nosso breve período neste mundo para abençoar os que nos cercam e ajudar o próximo? Temos falado dessas verdades espirituais que fazem a diferença entre a vida e a morte eternas? Além de contribuir nos trabalhos da Igreja, como tem sido nosso comportamento em casa, na família, no ambiente acadêmico, no trabalho e entre os irmãos em Cristo?

Se o Senhor nos tem agraciado com instrução de qualidade, pregações bíblicas e a comunhão numa Igreja fiel, e se temos recebido oportunidades e talentos espirituais, nossa responsabilidade aumentou significativamente e devemos viver de acordo com o que já alcançamos.

Que o Senhor nos abençoe, amém!

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M.D., I.M.S., M.C.S Belo Horizonte, MG, Brasil. Presbítero regente da Igreja Presbiteriana do Brasil em Belo Horizonte, MG, 2000-. Médico formado pela Universidade Federal de Minas Gerais em 1994 (M.D.). Especialização e Residência em Clínica Médica/Medicina Interna (IMS); Mestre em Estudos Cristãos (M.C.S.) pela FITRef. Professor de Aconselhamento Pastoral de 1999 a 2000 na Faculdade de Educação Batista Nacional e em 2004 na Faculdade de Teologia de BH; autor de Doença à Luz da Bíblia e A Enfermidade na Vida Cristã. Diretor Clínico do Hospital Público Regional de Betim, 2019-2021. Membro do Board of Directors da FITRef desde 2019.

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